O amor pela terra em que nasceu, o fincar das raízes, tornam o ser humano despreparado para enfrentar a vida. Na busca incessante do sustento lhe sobra pouco tempo para observar, e quando observa, só vê as belezas da terra em que nasceu. È o lugar mais belo e o melhor do mundo para viver e criar os filhos.
Com este comportamento de poeta melancólico, não vemos o que acontece ao nosso redor. Deixamos a vida passar por nós qual cavalo galopante, e quando conseguimos dedicar um instante do nosso tempo mortal para observar ao nosso redor, a vida passou. O tempo passou. Nós não vimos. Nossos filhos estão crescidos. Estamos ficando velhos.
Com todas estas certezas que o tempo não perdoa ainda temos de encarar que nossos filhos estão buscando outros lugares, outros ares.
Um lugar onde possam trabalhar. Um lugar onde possam aplicar os seus conhecimentos. Conhecimentos estes, que com sabedoria filosofal fizemos questão de deixar como herança. “O conhecimento é o único bem que perdura, por isso meu filho não lhe deixarei bens materiais. Você irá estudar para ser alguém.”
O que se faz com o estudo se não existir oportunidades de trabalho e desenvolvimento profissional? O que se faz com o conhecimento sem possuir valores para investir?
Precisamos abrir os olhos e tirar as estribeiras para que possamos enxergar. Enxergar que precisamos buscar para nossa cidade empresas que utilizem mão de obra qualificada. Empresas que possam empregar jovens recém formados, pós graduados. Empresas de tecnologia. Não podemos passar a vida cobrando dos empresários, que aqui estão, crescimento e mais crescimento. Isto é impossível.
Para que nossos filhos continuem achando a terra em que nasceram uma maravilha, temos de prepará-la para isto. Precisamos gerar leis de incentivo ao desenvolvimento econômico e social.
Minha terra. Meu lugar. Meu trabalho.
Publicado no JCN em jan/2006
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