terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Hora de mudar

      Estamos vivendo os últimos dias do outono, um período que pode parecer triste, as folhas caindo, árvores secas, a ausência das flores. No entanto, se prestarmos atenção o outono é uma estação de alegria, pois nela começa a grande magia da vida: Das folhas mortas, apodrecidas, a transformação em alimento para a terra e para o surgir de novas vidas na primavera.
      As folhas secas são interessantes, pois aparentemente não servem para nada. No entanto, são a força necessária para uma nova vida. Sem folhas secas, as florestas não teriam o alimento de que precisam. Elas nos ensinam uma lição básica, que muitas vezes esquecemos: para que o novo nasça, precisa que o antigo morra. Isso não significa sumir, desaparecer com o antigo. Não, porque ele se transforma na nova vida, na medida em que a alimenta.
      Então o outono é o começo de tudo. Além da beleza das folhas secas formando um belo mosaico cheio de cores, há a chance de ter, e de graça, todo o alimento para que na primavera a vida possa nos sorrir cheia de flores.
      Faça o mesmo com a sua vida. Escreva uma lista do que não precisas mais. Anote, em um papel, todas as suas “folhas secas”. Junte tantas folhas secas quanto as que anotou em sua lista. Faça dessa caminhada uma atividade prazerosa. Escolha folhas bonitas. Depois, sente-se em um momento de calma com todas as suas folhas e escreva em cada uma delas um item de sua lista de “folhas secas”.
      Faça isso com concentração e sabedoria. Quem sabe a folha de fícus combina mais com a preguiça de rezar todos os dias? O flamboaiã é a cara do grupo de oração que você freqüenta não por fé, mas por inércia e medo de romper com os amigos? Mas talvez a folha do ipê seja o símbolo da alegria que carregas no coração?
      Depois que completar a “inscrição de folhas secas”, guarde-as por alguns dias, e sempre que puder dê uma olhada nelas. Enquanto isso escolha um vaso bonito e separe um pouco de terra e umas pedrinhas. Escolha também uma data significativa. Pode ser o dia do mês em que você nasceu. Pode ser a lua nova. Pode ser um domingo. Qualquer dia é dia, desde que você o considere significativo.
      Nesse dia, faça o enterro simbólico de suas folhas secas. Coloque algumas pedrinhas no fundo do vaso, um pouco de terra e aconchegue folha por folha, jogando sempre um pouco de terra em cima. Complete o vaso com terra. Atenção, não plante nada ainda neste vaso. Ele está em processo de preparação, assim como você. Mas não esqueça, já começou a escolha do que plantar.
      Pense bem, não se imponha grandes mudanças, opte por coisas que realmente possas realizar. O seu tempo de escolha vai até a metade do inverno. Como as plantas ficam latentes, você também poderá permanecer, mas não esqueça de regar pelo menos de dois em dois dias e verás brotarem ervas daninhas. Arranque-as e depois enterre novamente, pois qual seus defeitos e falhas servirão de adubo para que quando, as folhas já estiverem apodrecidas e a hora do plantio chegar a terra esteja preparada.
      Não esqueça jamais que a nova vida que decidistes cultivar, dependerá somente de um pouco de água e que não poderá faltar, e como no vaso, regue sua vida com o Espírito de Deus.
      Deus estará presente com ou sem sua vontade. Esta é a nossa água espiritual e estará sempre acessível.
      Cabe-nos portanto, o papel de jardineiros, retirando as ervas daninhas e preparando a terra para que o jardim de nossas vidas não cresça desordenado.

Publicado no Jornal Parole em jun/2007

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Ailton Carlos Coelho
nascido em 21 de agosto de 1959
na cidade de Apiúna - SC,
Graduado em
Publicidade & Propaganda,
Pós-graduado em
Gestão e Planejamento
de Eventos Turísticos,
e editor dos Jornais JCN e Parole.

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