terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O que fazer?

      Em um domingo destes, após voltar da Igreja, preparando-me para sair para uma festa no interior, minha mulher aguarda no carro. Passado alguns minutos, um rapaz aparentando uns 14 anos, bem vestido, e segurando em sua mão um pequeno tambor de detergente, abordou-me para vender o produto. Após minha negativa continuou sua peregrinação: de portão em portão, de porta em porta sem nada conseguir. Chovia.
      Ao ver o garoto dobrar a esquina meus olhos passaram a ver, como em uma tela de cinema, a retrospectiva daqueles poucos minutos que tinham se passado. Aquele jovem de olhar amargurado, talvez triste, talvez com muito ódio no coração, desesperado por alguns trocados, ou talvez simplesmente desesperançoso.
      Passei então a me questionar: como podemos deixar nossos representantes políticos roubarem milhões? Fazerem leis que impedem um garoto, de físico forte, de ter um emprego formal, porque não completou 16 anos? Deixarem jovens e crianças serem subjugados desta forma?
      Como um jovem pode ter esperança de possuir um futuro digno?
      Nos noticiários, todos os dias, empresários sonegadores, corruptos, praticantes de atos pouco ortodoxos, impunes debocham da lei. Magistrados corruptos, através de manobras, protegem-se e acabam aposentados com gordos salários.
      Enquanto imperar a impunidade e a corrupção dentro do judiciário, jamais poderemos ver nos olhos de um jovem pobre, a esperança de dias melhores.
      Portanto senhores juízes, promotores, desembarga-dores, senadores e quem quer mais que seja, busquemos para os outros o que sonhamos para nós. Vamos dispor para todos os jovens deste país, o que pretendemos dar para nossos filhos e netos, pois na permanência da atual conjuntura, a desesperança será transformada em mais banditismo.

Publicado no JCN em mai/2007

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Ailton Carlos Coelho
nascido em 21 de agosto de 1959
na cidade de Apiúna - SC,
Graduado em
Publicidade & Propaganda,
Pós-graduado em
Gestão e Planejamento
de Eventos Turísticos,
e editor dos Jornais JCN e Parole.

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