terça-feira, 22 de janeiro de 2008

...e em dezembro o homem descansou.

      Férias de verão. O sol maravilhoso, as praias lotadas, muita curtição; diversão. Todo mundo aproveitando o que o verão e as festas de final de ano podem oferecer.
Todos?!
      Chega nesta época do ano e verificamos que os políticos, empresários, médicos, dentistas, juízes, promotores, ..., entram em férias. A população mais humilde que já sofre com muitos descasos, passa por mais problemas ainda: agora com a falta de médicos nos hospitais e ambulatórios, falta de atendimento nas delegacias. Tudo pára.
      Tudo?!
      Os profissionais da aviação, dos transportes urbanos, os policiais, bombeiros, os prestadores de serviços como garçons e faxineiros, continuam alí no batente, fazendo hora extra para poder atender as necessidades de suas famílias.
      Sei que é muito bom tirar férias no final de ano, pois os filhos estão de férias das escolas. O que não podemos esquecer é que quando optamos por uma profissão, precisamos ter consciência do que vamos enfrentar.       Por isso devemos estar preparados para escolher outras opções, de tempo e espaço, para curtirmos o merecido descanso com a família.
      O que seria da sociedade se todos tirassem férias em dezembro e janeiro?
      Um caos. Todos sem transporte, sem supermercados, sem restaurantes, sem faxineiras e principalmente sem segurança e atendimento médico. Sobreviveríamos?
      Algumas classes profissionais precisam começar a questionar a forma de agir perante os “agitos” da vida moderna. Precisam deixar para trás antigos vícios e exigências, e passarem a viver como cidadãos normais. Não é por que possuem curso superior ou uma profissão que dá mais status, que podem simplesmente considerar que tudo se adapta a sua vontade e ou a sua forma de viver.
      Se Deus descansou no sétimo dia é por que ele ainda não tinha estes milhões de seres para se preocupar.
      Todos nós precisamos uns dos outros. Quando saímos de férias queremos que o transporte aéreo, rodoviário, ..., esteja funcionando, que os restaurantes funcionem e que sejamos bem atendidos, que se nosso carro estragar tenha um mecânico de plantão, e se por uma fatalidade adoecermos, queremos ter um médico de plantão para nos atender.
      O que não podemos é ficar a mercê do acaso: Entrar em um hospital com um filho nos braços e não sermos atendido, pois o “doutor tal” está de férias e o único plantonista não veio, ou está atendendo outro paciente.
      Se não houver consciência, chegaremos ao dia em que:
      “... e em dezembro e janeiro o homem descansará.”

Publicado no Jornal Parole em jan/2008

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Ailton Carlos Coelho
nascido em 21 de agosto de 1959
na cidade de Apiúna - SC,
Graduado em
Publicidade & Propaganda,
Pós-graduado em
Gestão e Planejamento
de Eventos Turísticos,
e editor dos Jornais JCN e Parole.

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