Férias de verão. O sol maravilhoso, as praias lotadas, muita curtição; diversão. Todo mundo aproveitando o que o verão e as festas de final de ano podem oferecer.
Todos?!
Chega nesta época do ano e verificamos que os políticos, empresários, médicos, dentistas, juízes, promotores, ..., entram em férias. A população mais humilde que já sofre com muitos descasos, passa por mais problemas ainda: agora com a falta de médicos nos hospitais e ambulatórios, falta de atendimento nas delegacias. Tudo pára.
Tudo?!
Os profissionais da aviação, dos transportes urbanos, os policiais, bombeiros, os prestadores de serviços como garçons e faxineiros, continuam alí no batente, fazendo hora extra para poder atender as necessidades de suas famílias.
Sei que é muito bom tirar férias no final de ano, pois os filhos estão de férias das escolas. O que não podemos esquecer é que quando optamos por uma profissão, precisamos ter consciência do que vamos enfrentar. Por isso devemos estar preparados para escolher outras opções, de tempo e espaço, para curtirmos o merecido descanso com a família.
O que seria da sociedade se todos tirassem férias em dezembro e janeiro?
Um caos. Todos sem transporte, sem supermercados, sem restaurantes, sem faxineiras e principalmente sem segurança e atendimento médico. Sobreviveríamos?
Algumas classes profissionais precisam começar a questionar a forma de agir perante os “agitos” da vida moderna. Precisam deixar para trás antigos vícios e exigências, e passarem a viver como cidadãos normais. Não é por que possuem curso superior ou uma profissão que dá mais status, que podem simplesmente considerar que tudo se adapta a sua vontade e ou a sua forma de viver.
Se Deus descansou no sétimo dia é por que ele ainda não tinha estes milhões de seres para se preocupar.
Todos nós precisamos uns dos outros. Quando saímos de férias queremos que o transporte aéreo, rodoviário, ..., esteja funcionando, que os restaurantes funcionem e que sejamos bem atendidos, que se nosso carro estragar tenha um mecânico de plantão, e se por uma fatalidade adoecermos, queremos ter um médico de plantão para nos atender.
O que não podemos é ficar a mercê do acaso: Entrar em um hospital com um filho nos braços e não sermos atendido, pois o “doutor tal” está de férias e o único plantonista não veio, ou está atendendo outro paciente.
Se não houver consciência, chegaremos ao dia em que:
“... e em dezembro e janeiro o homem descansará.”
Publicado no Jornal Parole em jan/2008
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