segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Tudo dominado

      O homem através dos tempos vem sendo dirigido, dominado pelos elementos mais fortes da raça. No início dos tempos, pelos mais fortes fisicamente e no último milênio, digamos assim, pelo poder financeiro.
      No Brasil a miscigenação de raças européias, asiáticas e africanas formou um povo batalhador a procura de espaço e dignidade, mas nada que possa se opor ao poder político-econômico existente.
      As raízes européias, principalmente, nos trouxeram a cultura do conformismo, “Deus quis”.
      Nossos avós sobreviventes das revoluções, guerras locais e duas guerras mundiais, chegaram ao novo mundo preocupados com que seus filhos, não sofressem o mesmo que sofreram. Cultivaram em seus hábitos o conformismo a dominação: “Oh! Então ta”.- “Sim Senhô”. “Ta bom patrão”.
      Passaram-se décadas e nada mudou.
      Continuamos nós hoje, dominados pelos políticos e empresários inescrupulosos que com seus salários de fome não nos permitem condições dignas para educarmos nossos filhos e para que na velhice possamos dedicar o pouco que restou ao ensinamento de nossos netos.
      Os empresários desfilam em seus carrões importados demonstrando seu domínio. O empregado pobre submisso a tudo, vendo sua família privada das necessidades básicas mínimas necessárias, num momento de insanidade, muda toda sua trajetória vivente e se vê atrás das grades de um presídio. Ele conseguiu, conseguiu sim, libertar-se da sua cultura de conformismo, agora ele luta ferozmente, mas para manter-se vivo até cumprir sua pena, a pena por ter buscado de forma rude e má um prato de comida para seus filhos.
      A verdade nua e crua da vida nos mostra que nossos dirigentes governamentais e nossos empresários pensam que podem resolver tudo com um simples sacolão. Esquecem que nem todos têm os mesmos princípios de vida, que nem todos só querem como este aí, um prato de comida, querem um pouco mais, precisam um pouco mais. O direito a saúde, educação, saneamento, são básicos da vivência digna.
      Porquê nos submetemos a isso? Saberíamos explicar porquê o ser humano mesmo organizado socialmente não consegue se opor ao domínio de poucos, pouquíssimos?
      Dentro de minhas verdades pessoais vou levando minha vida. Minha família tem comida na mesa? Então sigo meu caminho, conformado...

Publicado no JCN em mar/2001

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Ailton Carlos Coelho
nascido em 21 de agosto de 1959
na cidade de Apiúna - SC,
Graduado em
Publicidade & Propaganda,
Pós-graduado em
Gestão e Planejamento
de Eventos Turísticos,
e editor dos Jornais JCN e Parole.

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