Quando da convocação da última Assembléia Nacional Constituinte o povo brasileiro vivia momentos de esperança em um futuro melhor, com menos desigualdades e maior distribuição das riquezas.
Realmente, a Constituição de 1988 gerou um novo capítulo na história do Brasil. Realmente veio voltada a distribuir a renda, mas o que não imaginávamos era que a distribuição seria entre os maus políticos deste país. Desde sua promulgação o Supremo Tribunal Federal de Justiça não condenou nenhum líder político, dos muitos processados. São quase 20 anos de impunidade. Um país riquíssimo com uma movimentação econômica enorme, trilhões de dólares, mas que ficam circulando sempre entre as mesmas contas. As contas do governo.
Talvez isto já acontecesse há muitos anos, mas com o crescimento dos recursos técnicos, a mídia trouxe as nossas casas, cada vez mais e mais rápido as informações, deixando aberta a vida de todos, e principalmente a dos que lesam os cofres públicos.
Todo o dia nos deparamos com obras públicas federais, estaduais e municipais, mas nos deparamos também com o superfaturamento. Obras que deveriam custar 450 mil reais acabam custando mais de 700 mil, outras obras, como a da pista do aeroporto de Congonhas em São Paulo, por exemplo: custam 19 milhões, só para reformar. A nossa BR470 está custando milhões para os cofres públicos, mas como podemos ver, as obras seguem em ritmo lento e com uma qualidade questionável.
Até quando as pessoas que tem o poder de agir, e ou reagir contra estes usurpadores do alheio, continuarão de braços cruzados ou até mesmo de defensores destes. Uma certeza o povo brasileiro já tem: “Em boca fechada não entra mosca”. Coitado de quem denunciar e não tiver grana suficiente para enfrentar um grande processo. Coitado daquele que mesmo com provas em suas mãos não encontrar respaldo junto ao judiciário. Será condenado, e os que desviaram os recursos ficarão soltos, vivendo dos dividendos da trabalho alheio.
Publicado no JCN em jul/2007
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