Quando criança via meu pai lutando sempre por coisas da comunidade. A construção do salão paroquial com restos de um galpão velho, a construção da cruz luminosa no monte do cemitério municipal. Era “fabriqueiro” nas festas da Igreja, do Seminário e do Colégio. Mas o que levou ele a mudar?
Enquanto meu pai lutava pela comunidade, a comunidade buscava mantê-lo pobre. Isto mesmo, pobre, pois enquanto trabalhava gratuitamente, outros buscavam proveito próprio. O pior que isto é fato em todo lugar e não só no Brasil. Quando meu pai entendeu que devia pensar só na sua empresa e esquecer os trabalhos comunitários, conquistou o suficiente para dar estudo aos filhos e ter uma velhice tranqüila, e deixar minha mãe que tanto lutou naquelas conquistas, com uma boa aposentadoria.
Acho que mesmo com tudo isso, não consegui aprender.
Em meu primeiro editorial, neste veículo de comunicação, falo deste assunto, pois quem me conhece sabe do meu jeito de agir, de me portar. Gosto da franqueza. As coisas têm de ser ditas na lata. Com isso busco resultados para a comunidade, mas trago problemas aos meus familiares. Trago comigo poucos amigos e muitos inimigos, mas tenho certeza que hoje estou plantando uma semente e que muito em breve dará frutos.
Lembro como se fosse hoje, quando na metade da década de setenta comecei a vir para Ascurra com alguns amigos. Brincava no Colégio São Paulo de frescobol, vôlei, ping-pong, além de paquerar. Em 1977 comecei a namorar a minha esposa Márcia e nunca mais me afastei de Ascurra, de suas virtudes e de seus problemas. Na época os apiunenses tinham inveja de Ascurra. Suas ruas bem cuidadas, o jeito do povo manter sua cultura. Hoje vejo que Ascurra é uma cidade cheia de problemas.
O Jornal Parole (Palavras) vem para suprir uma lacuna na área da informação em Ascurra, e dará igual oportunidade a todos os setores, de se expressarem e esclarecerem a população, das coisas que acontecem e que influenciam o cotidiano da cidade.
Espero sinceramente que o Jornal Parole venha a ter o mesmo sucesso que o Jornal Cabeço Negro de Apiúna, que neste mês de janeiro entrou em seu oitavo ano de existência.
Ascurrenses: peço licença para invadir seus espaços, e para que a cada dia que seguir minha vida, possa ser um pouco mais cidadão, também desta terra.
Publicado no JP em jan/2007
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