terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Muito blá... blá... blá.

      A mídia catarinense, principalmente os pequenos jornais do interior, através da associação, publicam artigos do Governador Luiz Henrique da Silveira. Artigos estes sobre cultura, história e muita política. Nas entrelinhas o Governador ataca alguns pontos, e ou focos de crítica contra suas ações.
      Nesta semana escreveu sobre o grande artista da cidade de São Joaquim, o pintor Martinho de Haro, que deixou suas obras para nossa apreciação no final dos anos 90. Familiares e colecionadores disponibilizaram mais de 300 das 600 obras para uma lindíssima exposição no MASC -Museu de Arte de Santa Catarina, na cidade de Florianópolis.
      Com um texto muito bem escrito o Governado demonstra conhecimento e alto nível cultural, mas pergunto: O Governador foi ver a exposição do artista?
      Eu fui duas vezes, uma acompanhado do diretor do MASC, professor João, e na outra acompanhado por amigos, onde constatei a falta de consideração das esferas governamentais para com o nosso museu: O Museu de Arte de Santa Catarina.
      Durante a visita chovia e as poças de água se acumulavam pelas amplas salas, colocando em risco as raríssimas e belas obras. Enquanto em frente aos nossos olhos o saudoso Martinho nos fazia viajar pela história, as poças passavam a ser fato da história atual.
      Na mesma viagem visitamos a Catedral de Florianópolis, O Palácio Cruz e Souza e os monumentos de Laguna, além da Serra do Rio do Rastro. A Catedral está sendo recuperada através de uma obra infindável, mas depois de chegar a quase sua perda, o mesmo acontecendo com o Palácio, mas o pior viria depois: as ruas de Laguna com mais de 400 anos e seus casarios abandonadas pelo governo e seus projetos. A Serra do Rio do Rastro sem manutenção, cheia de lixo, e com pessoas se utilizando do mirante para comércio, tornando o espaço uma feira cheia de entulhos.
      Sabedor das dificuldades que estes abnegados administra-dores do patrimônio histórico catarinense e brasileiro enfrentam na busca de recursos para manutenção e obras de restauração dos mesmos, pergunto: Governador, não está na hora de acabar com o blá... blá...blá e passar do discurso à prática?
      Precisamos urgentemente que o fundo social que o senhor criou seja realmente aplicado em áreas sociais e culturais. Precisamos urgentemente que nosso patrimônio histórico seja protegido. O senhor Governador é um felizardo por ter em sua casa obras destes grandes artistas, mas nosso povo, nossas crianças, quando é que terão oportunidade de apreciá-las se podem ser destruídas pelo descuido e os maus tratos que vocês políticos impõem?
      Um povo sem patrimônio é um povo sem memória. Um povo sem memória é um povo sem cultura e sem passado, um simples andante do tempo finito.

Publicado no Jornal Parole em nov/2007

Um comentário:

Unknown disse...

Parabéns pela matéria, concordo que nossos governantes estão mostrando total desprezo pelo nossa história, eles deveriam lembrar que grandes sábios nos ensinaram que a humanidade deve olhar para seu passado para aprender, e aprendendo não cometemos os mesmos erros... E olha que ja cometemos muitos!!!!


Ailton Carlos Coelho
nascido em 21 de agosto de 1959
na cidade de Apiúna - SC,
Graduado em
Publicidade & Propaganda,
Pós-graduado em
Gestão e Planejamento
de Eventos Turísticos,
e editor dos Jornais JCN e Parole.

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