segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Entre o inferno e o Céu.

      É este o sentimento que tem as pessoas que passam todos os dias pelo atendimento do SUS e que depois por felicidade extrema conseguem ser atendidos de forma mais humana.
      Durante os últimos 11 anos de minha vida venho sofrendo com problemas renais. Já fui atendido em vários hospitais da região e fora dela. Senti na pele o que nós, simples mortais “povo”, estamos sujeitos quando necessitamos de atendimento médico hospitalar.
      A quatro anos atrás necessitei de atendimento de urgência, devido a dores, na cidade de Florianópolis, onde estava hospedado. Pela proximidade procuramos rapidamente o Hospital Universitário. Para surpresa não fomos atendidos, pois os médicos “plantões” não estavam no local, necessitaríamos esperar. Após mais de meia hora desistimos.
      Me auto mediquei em uma farmácia. (Errado).
      No dia seguinte as dores retornaram com maior intensidade. Felicidade, fui atendido no hospital Florianópolis, no Estreito, humanamente, mesmo o Platão lotado de atendimentos de emergência, referentes a acidentes, brigas, crianças doentes, tudo isto inerente do cotidiano de uma grande cidade. Só solicitaram documento, nada mais. O dinheiro não se fez necessário.
      Durante esses anos já fui atendido em Ascurra, Indaial, Rio do Sul, Blumenau e Ibirama, sempre passando a noite sobre estreitas macas. O atendimento? Nem gosto de lembrar.
      No último dia 20 de outubro, sexta-feira, Dr. Lourival, Secretário Adjunto da Saúde do Estado, em sua Palestra, atividade do “Programa Município Saudável” em Apiúna, tentou levar ao convencimento vários jovens presentes e demais cidadãos, de que o SUS funciona. As afirmações me causaram indignação e após o encerramento resolvi contestá-lo pessoalmente. Claro que para estes senhores que nunca necessitaram deste atendimento tudo funciona e nada e ninguém consegue dissuadi-los quanto as suas afirmações.
      Infelicidade. Foi esse o sentimento. Duas horas depois era levado de emergência para atendimento no Hospital Miguel Couto de Ibirama. Com um atendimento agressivo e de falta de profissionalismo, foi o início de três longos dias de agonia. Um médico com uma capanga debaixo do braço, olhou-me a distância e deu sua receita. O despreparo da enfermeira para aplicar a medicação se tornou evidente ao tentar três vezes achar a veia sem sucesso e causando hematomas. Sobre a maca estreita sofri com dores de cólica renal durante uma hora. Ao ser internado já no quarto com mais 3 pessoas, felizmente uma enfermeira real aplicou os medicamentos. O que deixa a pessoa “tranqüila” é saber que tem mais pessoas com você. Uma com problema pulmonar, (talvez tuberculose? Quem sabe), a segunda pessoa idosa com dores e sem o atendimento devido, a terceira com dores renais mas com varicela (catapora), o que para quem estava com infecção nos rins é “encorajador”. É por estas e outras razões que existe tantas complicações nas enfermidades dos pacientes. Cadê o critério? Agora nem tudo foi ruim. O tratamento psicológico é excelente. Vejam só: todos participam das medicações dos demais, quando chega a hora da sua medicação, todos são acordados com o acender da luz geral do quarto, o que é relaxante; a cada mudança de turno dos enfermeiros, todos sorridentes dirigem-se aos quartos e acendem a luz e exclamam: Olá!!! Tudo bem!! Tá com frebrezinha táa!!! E você como é que se seenteeee!!! Na saída: Boa Noite a toodosss!!!
      Mas quem disse que o Céu não existe? Para quem enfrenta ou já enfrentou o SUS, quando é atendido logo após, como fui no Hospital OASE de Timbó, “atendimento particular”, o Céu existe. Todos lhe tratam bem, sua alimentação é igual ou melhor a hotel três estrelas, mantém você sem dor e ainda lhe asseguram bons exames e um bom sono. Pois para se recuperar de uma dessas, só um bom sono...

Publicado no JCN em out/2000

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Ailton Carlos Coelho
nascido em 21 de agosto de 1959
na cidade de Apiúna - SC,
Graduado em
Publicidade & Propaganda,
Pós-graduado em
Gestão e Planejamento
de Eventos Turísticos,
e editor dos Jornais JCN e Parole.

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